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Nesta página você encontra detalhes dos cursos que ensinei no DF/UFPE.

O material didático produzido se resume a notas de aula de mecânica clássica e a roteiros e apostilas do curso mais básico de física experimental.

Deixo aqui os links para esse material:

Abaixo se encontram informações detalhadas dos cursos, semestre a semestre.

Mecânica clássica 1
(01.2015)

Informações básicas

O curso conta com o auxílio do monitor João Paulo Cavalcante e do pós-graduando Tiago Anselmo para atendimento de dúvidas dos estudantes. O atendimento do Tiago ocorre entre as 16h e 17h nas terças-feiras; o João atende entre as 15h e 16h das quintas-feiras .

As provas ocorrem sempre às 8h em terças-feiras.

Datas das provas:
Prova 1 - dia 14/04
Prova 2 - dia 26/05
Prova 3 - dia 07/07


As listas de exercício contam 1,0 ponto na nota final, ficando 9,0 pontos reservados para as provas (i.e. cada prova vale 3,0 pontos na nota média final).

Folheto de introdução


Notas de aula

Notas de aula completas

Listas de exercícios

Lista 9 (entrega dos problemas 1, 2 e 3 no dia 02/07)
Lista 8 (entrega dos problemas 1, 2, 3 e 4 no dia 23/06)
Lista 7 (entrega dos problemas 1, 2 e 3 no dia 09/06 e problemas 4, 5, 6 e 8 no dia 16/06)
Lista 6 (entrega dos problemas 1, 3, 5 e 6 no dia 26/05)
Lista 5 (entrega dos problemas 1 e 2 no dia 19/05)
Lista 4 (entrega dos problemas 1, 2, 3, 4, 5 e 8 no dia 14/05)
Lista 3 (entrega dos problemas 1 e 2 no dia 05/05)
Lista 2 (entrega dos problemas 1, 3, 4 e 9 no dia 14/04)
Lista 1 (entrega dos problemas 1, 2, 4, 5, 7 no dia 07/04)

Problemas do livro do Moyses para revisão (entrega dos exercícios sublinhados no dia 26/03):
Capítulo 3: 2, 4, 6, 15, 22, 29
Capítulo 4: 5, 7, 12, 13
Capítulo 5: 5, 6, 11, 12, 17, 19
Capítulo 6: 4, 9, 14
Capítulo 7: 15, 20
Capítulo 8: 1, 2, 11, 15, 17
Capítulo 9: 3, 19
Capítulo 10: 14, 16, 17
Capítulo 11: 3, 12, 16
Capítulo 12: 12, 20
Capítulo 13: 7
pdf com os problemas


Mecânica clássica 2
(02.2014)

Informações básicas

O curso conta com o auxílio do monitor Mário Barbosa Monteiro. O atendimento é realizado todas as segundas-feiras, das 14h às 15h, na sala A.

As provas ocorrem sempre em terças-feiras às 9h.

Datas das provas:
Prova 1 - dia 14/10
Prova 2 - dia 25/11
Prova 3 - dia 27/01


As listas de exercício contam 1,0 ponto na nota final, ficando 9,0 pontos reservados para as provas (i.e. cada prova vale 3,0 pontos na nota média final).

Folheto de introdução


Notas de aula

Notas de aula completas

Listas de exercícios

Lista 7 (entrega de todos os problemas no dia 26/01)
Lista 6 (entrega de todos os problemas no dia 18/11)
Lista 5 (entrega de todos os problemas no dia 11/11)
Lista 4 (entrega de todos os problemas no dia 30/10)
Lista 3 (entrega de todos os problemas no dia 23/10)
Lista 2 (entrega de todos os problemas no dia 07/10)
Lista 1 (entrega de todos os problemas no dia 25/09)


Mecânica clássica 1
(01.2014)

Informações básicas

O curso conta com o monitor Raí Menezes. O atendimento é realizado às terças-feiras, das 14h às 15h, na sala A.

Datas das provas:
Prova 1 - dia 06/05
Prova 2 - dia 10/06
Prova 3 - dia 29/07

As listas de exercício contam 1,0 ponto na nota final, ficando 9,0 pontos reservados para as provas (i.e. cada prova vale 3,0 na nota média final).

Folheto de introdução

Notas de aula

Notas de aula completas

Listas de exercícios

Lista 10 (entrega de todos os problemas no dia 05/08)
Lista 9 (entrega de todos os problemas no dia 24/07)
Lista 8 (entrega de todos os problemas no dia 17/07)
Lista 7 (entrega de todos os problemas no dia 10/07)
Lista 6 (entrega de todos os problemas no dia 10/06)
Lista 5 (entrega de todos os problemas no dia 10/06)
Lista 4 (entrega de todos os problemas no dia 22/05)
Lista 3 (entrega de todos os problemas no dia 06/05)
Lista 2 (entrega dos problemas 4, 6, 7, 8 e 10 no dia 22/04)
Lista 1 (entrega dos problemas 3 e 5 no dia 10/04)

Problemas do livro do Moyses para revisão (entrega no dia 29/04):
Capítulo 3: 2, 4, 6, 15, 22, 29
Capítulo 4: 5, 7, 12, 13
Capítulo 5: 5, 6, 11, 12, 17, 19
Capítulo 6: 4, 9, 14
Capítulo 7: 15, 20
Capítulo 8: 1, 2, 11, 15, 17
Capítulo 9: 3, 19
Capítulo 10: 14, 16, 17
Capítulo 11: 3, 12, 16
Capítulo 12: 12, 20
Capítulo 13: 7
pdf com os problemas


Física experimental 1
(2013)
Informações básicas

O curso passou por reformulação neste ano para dar maior ênfase à interpretação de dados, mantendo no entanto o conteúdo necessário ao domínio de técnicas. O curso passa a ter o perfil mais próximo de uma iniciação científica.

O curso é composto de uma sequência de experimentos. Cada experimento, com duração de duas manhãs de aula no laboratório, segue um roteiro, que faz as vezes também de relatório, entregue pelo(a) estudante ao final do experimento.

Aconselha-se fortemente aos estudantes prepararem a parte de revisão teórica do roteiro antes da primeira aula do experimento. É também aconselhável utilizar o tempo de laboratório para tomada de dados e realizar apenas a análise parcial necessária para checar se os dados fazem sentido. A análise detalhada (gráficos, cálculos estatísticos etc) dos dados deve ser realizada entre as aulas do experimento.

Folheto de introdução

Apostilas de apoio

Apostila 1
Apostila 2
Apostila 3

Roteiros dos experimentos

Roteiro 1: Medidas e incertezas
Roteiro 2: Colisões
Roteiro 3: Pêndulo simples
Roteiro 4: Ondas
Roteiro 5: Calorimetria


Perguntas frequentes

A aula não deveria ser igual ao livro?

Existem duas respostas para isso, uma curta e uma longa. A resposta curta é "Não". Lembre-se de que seu(ua) professor(a) é também, em princípio, um(a) pesquisador(a), e deve possuir ponto de vista próprio sobre o que é relevante para o curso em questão à luz da atualidade (dentro do conteúdo da ementa, obviamente!). A capacidade de contextualizar sua aula na contemporaneidade é um dos fatores principais de distinção das universidades onde se faz pesquisa.

Já a resposta longa é "NÃÃÃÃÃÃÃÃO!!!". Todo o ponto de você estar numa universidade onde se faz pesquisa é ter contato com o ambiente em que o conhecimento está sendo constantemente gerado: de fato, alguns de seus professores escrevem os livros! Pensando assim, não haveria qualquer motivo para que um professor seguisse à risca o livro escrito por outro. O ponto central aqui é o seguinte: inverta sua lógica para aproveitar a oportunidade de possuir professores que não precisam seguir livros!!!

Mas se a aula não é igual ao livro, para que serve então?


Para responder a essa importante pergunta, torna-se necessário aqui pensar sem preconceitos criados por experiências prévias, e tomar inspiração no famoso detetive da Baker street ao desvendar grandes mistérios. Vamos aos fatos. As aulas não envolvem levar livro algum ao local do curso, nem qualquer outro material escrito. Elas também não são um requisito fundamental para a aprovação, nem deixam qualquer coisa de permanente além da memória de termos participado delas. Mas notemos como as aulas reúnem num só espaço físico todos os estudantes matriculados no curso e também o professor. Nesse detalhe deve estar a chave do mistério.

Sim, de fato, por que iriam todos os participantes realizar o imenso esforço de deslocarem seus corpos físicos para um mesmo local do espaço quando apenas suas mentes bastariam? Por que fazer isso, ainda por cima, em meio a tantas dificuldades prosaicas como trânsito travado e transporte público falido? E por que aquele(a) que é essencialmente um(a) pesquisador(a) em alguma área de fronteira da física (ao menos assumamos isso momentaneamente quando não for o caso) seria contratado para dedicar várias horas de sua semana de trabalho para se reunir com pupilos mais jovens (ao menos academicamente)? Deve ser, portanto, muito importante reunir todos num só lugar.

Se isso for verdade, ou seja, se esse for realmente o elemento essencial da aula, então ela só pode servir para que esse conjunto tão especial de pessoas interajam entre si. Sim, Sherlock provavelmente concordaria conosco no propósito central das aulas: produzir um espaço de interação, é elementar. E a interação só pode ser efetiva se todos fizerem bem a sua parte.

Como usufruir melhor da interação em aula? (essa é longa)


Existem várias formas de interação, mas o fato essencial a notar aqui é a existência de forte assimetria entre professor e estudantes com relação ao conhecimento prévio à aula (se assim não for, então tem algo errado!). O professor é pressuposto saber muito bem tudo o que consta na ementa, e na verdade mais do que isso. E aqui não me refiro aos detalhes, mas ao quadro global. Ninguém sabe tudo sobre qualquer coisa, e nem deve: o importante é saber o que é importante, e essa é mesmo a habilidade mais difícil de se treinar! Já os estudantes são supostos pouco ou nada conhecerem sobre os assuntos a serem tratados (ou não estariam ali!).

Assim, o professor certamente quase nada aprende com as aulas em si (embora ele possa aprender bastante preparando as aulas...). Isso nos faz concluir que seu papel só pode ser guiar o processo de interação do grupo. Isso não significa dizer que ele seja "superior" em qualquer aspecto nazi-fascista que você possa ter visto por aí em "profissionais" exercendo o famoso "poderzinho", mas sim que ele é de certa forma a pessoa que centraliza o processo (muito embora o centro do processo em si, como objetivo, esteja de fato nos estudantes, o motivo principal de todo o processo existir!). Devemos concluir que o professor é como o maestro de uma orquestra de aprendizes, instruindo e guiando cada um dos músicos a aproveitar melhor o seu instrumento de interesse. Pressupõe-se que os jovens músicos estejam lá motivados por razões internas a eles mesmos, e que ao maestro caiba a tarefa de mostrar a cada um a melhor maneira de adquirir a substância intelectual necessária para desenvolver-se a si mesmo(a) em seu próprio caminho por livre escolha.

E o que seria esperado dos estudantes nesse espaço de interação? Se os pupilos pouco sabem do assunto discutido, deles só se pode esperar que façam perguntas para dirimir erros conceituais de suas próprias mentes ainda confusas. É natural esperar quase sempre perguntas equivocadas e mal formuladas: de fato, tal processo interativo implica no próprio aprendizado de formular as perguntas para torná-las cada vez mais relevantes e claras à medida em que o nível de compreensão aumenta (até o ponto em que não precisam mais ser formuladas!). Porque saber fazer perguntas é sempre a parte mais difícil: afinal, qualquer um com a formação básica sabe responder uma pergunta bem feita; no entanto, apenas quem domina muito bem os aspectos conhecidos e desconhecidos de determinado tema é capaz de formular perguntas que apontem a essência do que não é sabido. Portanto, cabe acima de tudo aos estudantes aprenderem a formular perguntas.

Mas por tudo o que foi dito, o processo de interagir envolve saber ao menos parte ínfima do conteúdo: afinal, se os estudantes absolutamente nada souberem, serão incapazes de interagirem com o grupo e de fazerem perguntas! Portanto, não poderão ver sentido em participar da aula, que se assemelhará a um monólogo professoral onde quem já sabe tudo derrama sobre vítimas sonolentas todo o peso de sua autoridade acadêmica (isso lembra alguma coisa?). De fato, aquele que nada sabe encontra uso muito mais eficiente de seu tempo na leitura de um livro e, como dissemos, a aula não é mera fonte de conteúdo como um livro. Ela não respeita o seu ritmo próprio de absorção como o livro, nem pode oferecer muito do tempo necessário para reflexão (já que é o ritmo do coletivo que dita a aula).

Assim, salvo a burocratas (teorias da conspiração dizem que eles estão entre nós: na realidade, nós é que estamos entre eles!), não é logicamente defensável que um estudante esteja presente à aula sem absolutamente nada saber (devemos concluir que os apoiadores dessa postura provavelmente não entenderam para que estão ali, ou para que serve a aula: e possivelmente porque ninguém jamais lhes tenha explicado! Notemos como a confusão estudantil sobre como se portar para maximizar seu próprio aprendizado é muitas vezes apenas reflexo da confusão institucional de um monte de "profissionais" que simplesmente estão no lugar errado!). Se assim for, é o próprio estudante que se torna sem perceber o elemento desestabilizador que busca a todo custo tornar a aula de todos igual ao seu livro. Ele atua sem perceber no sentido de reduzir o professor a um repetidor humano altamente ineficiente e a si mesmo a uma copiadora humana altamente ineficiente (e pessoas são em geral boas não em tarefas repetitivas, mas criativas!). Não precisamos dizer que isso se configura em uso ineficiente não só de tempo desse próprio estudante hipotético, mas de todos os seus colegas e também do professor. Além disso, desperdiça-se a chance de interagir nesse ambiente especial, deturpando-o ou até mesmo destruindo-o (como ocorre caso haja vários estudantes com o mesmo pensamento equivocado, como é comum na Área 51, formadora de vítimas e repetidores de um sistema cultural que privilegia a burocracia das notas e das faltas em vez do aumento da capacidade de fazer coisas).

Não, é essencial que os estudantes tenham dúvidas sobre o assunto e portanto tenham pensado para si mesmos (dentro de suas limitações esperadas!) anteriomente à aula sobre os temas a serem abordados. Só assim eles poderão expor suas confusões mentais e com isso remediá-las (notemos que guardar a confusão mental para si tem apenas o efeito de postergá-la para fazê-la brotar em outro instante mais adiantado da vida, quando talvez seja encarada de forma pior: até mesmo como incompetência!). Por isso, a aula só faz sentido lógico se o estudante a utilizar para interagir com o grupo e expor as entranhas de suas confusões mentais. E para lá chegar com dúvidas relativamente claras é preciso utilizar o tempo fora de aula para tentar dominar o conteúdo, refletir e interagir com seus colegas se possível.

Esse problema da lista de exercícios faz sentido?

A lista de exercícios tem o objetivo de lhe provocar o pensamento. Ela pode, eventualmente (hehehe), conter imprecisões de enunciado cuja confusão é papel seu sanar. Nesses casos você deve apontar em sua resolução como você entende o enunciado e continuar a partir daí. É de extrema importância que você desenvolva o seu senso crítico. A confiança de que você precisará para exercê-lo se encontra no conhecimento sólido do conteúdo.

E lembre-se de que o mais divertido em qualquer problema é o processo de entendê-lo e resolvê-lo. Simplesmente copiar a solução encontrada por outro colega é como um processo burocrático sem sentido: melhor seria não fazê-lo. Se ainda assim você achar que vale a pena seguir essa trilha, provavelmente convencido por argumentos igualmente burocráticos (e.g. nota), lembre-se de que nos tornamos bons naquilo que praticamos. Em outras palavras, você estará treinando para ser um copiador (e aqui não há como competir com as máquinas!) ou para ser um excelente burocrata (o que, olhando pelo lado positivo, lhe traz algumas oportunidades de emprego).

O importante da lista é se lembrar daquele sentimento (soterrado...) de curiosidade para descobrir a resposta de um problema. Os cursos por vezes jogam muitos baldes de água fria nessa fagulha da curiosidade, em vez de nutri-la. A lista de exercícios buscará, sempre que possível, encontrar um balanço entre a prática de técnicas importantes e a instigação da curiosidade. Mas isso você mesmo pode fazer com seus colegas pela criação do hábito de discutir física (ou qualquer outro assunto intelectualmente desafiador!) sempre que possível. Manter a curiosidade viva é antes de tudo uma decisão sua, tomada a cada vez que se encara o mundo.

A prova vai estar difícil?

Bem, isso depende mais de você do que de mim... Mas o que você provavelmente quer perguntar é o que eu penso que deve estar numa prova.

Antes de mais nada, note que o professor tem um papel duplo, auxiliar no aprendizado mas também avaliar o conhecimento demonstrado pelos estudantes (talvez no mundo ideal não fosse assim...). E eu uso acima os termos "auxiliar no aprendizado" em vez de "ensinar" para enfatizar o lado ativo ("aprender") em lugar do passivo ("ensinar"); afinal, o estudante que busca a universidade o faz perseguindo alguma coisa de seu interesse: o certo é que você deve fazer de tudo para aprender, e a sala de aula é só um dos ambientes criados para lhe auxiliar nessa busca. Portanto, parto do princípio de que você é um ator (muito) ativo de seu próprio aprendizado.

E na primeira frase do parágrafo acima digo "conhecimento demonstrado" porque em toda avaliação há algo de exibição ou enfrentamento construtivo: avalia-se não só se o(a) estudante "sabe para si" o conteúdo, mas se é capaz de aplicá-lo de forma a convencer um terceiro (no caso, eu) de que seu raciocínio faz sentido (ainda que se possa vir a descobrir porteriormente algum erro nele). Para se sair bem numa avaliação, é preciso antes de mais nada aceitar o desafio imposto pelo outro. Tenha sempre em mente as várias habilidades avaliadas numa prova: domínio das ferramentas e dos conceitos, clareza de pensamento, poder de convencimento. São todas habilidades básicas de um profissional que trabalha com o intelecto.

E, se você pensar no assunto, verá que só pode ser assim. Um erro conceitual comum é achar que numa prova basta transcrever a resolução dos problemas (e por isso vejo muitos estudantes que simplesmente escrevem equações ou números sem dizer mais nada na prova). Essa forma de agir não pode estar correta porque não quero treinar você para memorizar livros a fim de resolver problemas com solução padrão ou conhecida (resolver problemas já resolvidos?): pelo contrário, desejo formar pessoas criativas capazes de propor soluções para situações novas e desafiadoras, de preferência jamais vistas antes. E como em geral existem vários caminhos possíveis a serem tomados, daí a necessidade de ser convincente. No nível de um curso de graduação, espera-se que o estudante consiga ao menos aplicar as ferramentas (vistas no curso) de maneira coerente. E por isso é sempre importante argumentar o que se faz e explicitar a linha de pensamento. Uma prova de física não é portanto muito diferente de uma redação, embora envolva frases inteiras ditas na linguagem pura da natureza, a matemática.

Ressaltemos: o importante é convencer o outro. Clareza e economia de argumentos são suas aliadas nesse objetivo (pense em sua própria experiência cotidiana para notar que tentar "enrolar" o professor com longos e confusos circunlóquios não é em geral uma estratégia inteligente: lembre-se daquele vendedor de garantia estendida que não conseguiu lhe convencer a adquirir uma!). E isso precisa ser assim pela forma como funciona a Academia. O convencimento é sempre um elemento essencial da interação humana, embora possa assumir formas diversas em diferentes contextos. Por exemplo, no mundo comercial, a forma mais eficaz de convencer os outros consiste em oferecer-lhes pedacinhos coloridos de papel todo desenhado: dinheiro. Assim você convence um mecânico a consertar seu carro ou um lojista e lhe entregar aquele último modelo de celular. Em outros contextos, como por exemplo no caso do facebook ou google, você só precisa lhe dar de bom grado muitos pedacinhos inocentes de suas informações pessoais (tal como a cor de suas .... meias) para lhes convencer a oferecer a sedução de seus serviços "gratuitos". Um último caso extremo digno de nota é exemplificado pela tática do poderoso chefão, ilustre nos filmes ao fazer propostas irrecusáveis por conta do valor negativo do que virá caso não seja aceita; assim o povo se convence, por exemplo, a manter um ditador no poder, ou nós nos convencemos a entregar aquele relógio querido ao rapaz metalicamente persuasivo.

No caso da prova, você *só* precisa me convencer de que domina bem as ferramentas e os conceitos básicos do curso. A prova é elaborada com o objetivo de lhe dar o espaço para que você possa mostrar suas habilidades em contextos simples. Interessa-me responder a pergunta: esse estudante é capaz de dar os passos intelectuais subsequentes (ainda que "guiado pela mão")? Convença-me de que não e ficaremos ambos frustrados por termos perdido tempo precioso de vida; convença-me de que sim e ficaremos ambos muito satisfeitos com nossos esforços bem sucedidos.

E lembre-se sempre: em último caso, quando todas as demais ferramentas de persuasão falharem, estude.

Qual a matéria que cai na prova?

A resposta a essa pergunta é muito simples: tudo que você aprendeu desde o seu saudoso período intra-uterino até a última aula antes da prova (salvo explicitado em contrário).

O conhecimento é cumulativo e muitas situações reais requerem utilizarmos várias áreas de competência ao mesmo tempo. Portanto, tenha sempre como objetivo saber com solidez de tudo um pouco: o suficiente para saber como aprender mais caso necessário (mas, cuidado: não mais do que isso! Saber tudo é, além de impossível, um uso ineficiente do seu tempo).

Preciso de 0,1 ponto para passar. Me ajuda?

A resposta sucinta diz que nota é uma conquista, não um presente. Mas existe nesse questionamento uma lição de abrangência bastante geral para sua vida profissional: quem faz o mínimo tem o destino decidido pela Fortuna (vale a pena aqui ler com cuidado a letra de "O Fortuna" para entender os riscos envolvidos). Com isso quero dizer que um(a) estudante, ao escolher se dedicar no nível mínimo possível à determinada tarefa, não será provavelmente senhor(a) do seu próprio destino.

Isso acontece quase que por seleção natural ou então por simples flutuação estatística. O sujeito "limítrofe" é por vezes jogado pelo acaso das circunstâncias para um lado da linha, por vezes para o outro. A melhor forma de garantir que você estará com certeza de um lado específico da linha é estar muito pra lá da fronteira (note que o posicionamento de qualquer linha divisória sempre possui uma incerteza... Procure estar vários sigma para além dela!).

Já que o(a) estudante "limítrofe" escolhe tacitamente me delegar a decisão sobre sua aprovação ou reprovação, o que eu faço nesses casos é analisar ao final do curso todo o seu desempenho (i.e. como exatamente demonstrou seu domínio do conteúdo nas provas) para decidir sobre uma pergunta binária: tem ou não condições de seguir o curso? A resposta a isso ficará indicada na nota final (e não há discussão, já que a decisão é dada de presente para mim como um cavalo de Tróia!). Assim, estar muito acima (ou abaixo...) da linha de corte é a maneira mais certa de manter sob seu próprio controle a decisão sobre seu destino no curso.

É importante perceber que ser "limítrofe" toma um montão de tempo (de todo mundo) para se chegar a um resultado que não será melhor do que apenas "razoável". Ou seja, o sujeito "limítrofe" certamente estará numa situação de domínio questionável da matéria e nem ele nem eu estaremos satisfeitos com o desempenho atingido. Por isso, o melhor é dedicar-se ao curso ao menos o suficiente para ter bom domínio de todo o conteúdo: assim todos ficamos com um maravilhoso sentimento de dever cumprido e a sociedade ganha um profissional bem formado (você)!

Os ítens da prova não deveriam ser independentes?

Não necessariamente. Isso significa que aquele item do qual outros dependem vale efetivamente mais pontos do que explicitado nele, implicando que representa um tipo de conhecimento basilar.

Por exemplo, imagine uma empresa que buscasse um profissional para fazer os cálculos estruturais de um edifício residencial. Suponha que, na entrevista de emprego, um candidato, ao ser questionado sobre o método que ele utilizaria para calcular as forças de compressão nas vigas no edifício, respondesse: "mas o que é uma força de compressão?". Bem, mesmo que ele saiba somar vetores e até mesmo aplicar como um robô autômato o método de multiplicadores de Lagrange, creio que sua nota na entrevista seria próxima de zero. É a mesma coisa.

Onde encontro o gabarito da prova?

Bem, você não o encontra! O motivo pelo qual não me preocupo em disponibilizar o gabarito se resume a eu não achá-lo relevante; na verdade, ele talvez seja até um pouco nocivo.

Deixe-me lhe explicar como penso atualmente. O lado aparentemente positivo de dar segurança ao estudante de que existe uma forma "ideal" de acertar as questões da prova é ilusório: se existe apenas uma solução ideal, ou o problema é trivial, e portanto não vale a pena resolvê-lo, ou o problema já é tão conhecido que todo mundo o conhece de trás para frente, e portanto também não vale a pena resolvê-lo.

Mas, de fato, o objetivo da prova não é propor problemas interessantes de se resolver, mas reveladores de se corrigir. As perguntas ideais são aquelas que parecem insolúveis a quem não possui o domínio mínimo da forma de pensamento abordada no curso, mas se tornam triviais para quem consegue elevar-se ao nível de conhecimento esperado.

Por isso, existem várias formas de acertar uma questão, e infinitas formas adicionais de errá-la. Ser sucinto(a) e preciso(a) na resposta são algumas das características de quem domina o conteúdo, mas verificar a consistência dos resultados também é comportamento natural de quem sabe o que está fazendo. É possível errar um sinal e acertar completamente a questão, caso a resposta seja aparentemente razoável: ou perdê-la totalmente caso seja absurda e não se perceba isso!

Lembre-se de que seu objetivo principal na prova é convencer a mim de que você possui o domínio esperado (por mim!) da matéria. Todos nos enrolamos, todos erramos bobagens. O diferencial que me interessa avaliar é determinar se aquilo que eu chamo de bobagem é o mesmo que você chamaria: em suma, você sabe distinguir o que é importante do que não é? E, dentro do subconjunto de coisas importantes, você as domina com a certeza dos justos?

Se suas respostas forem "não", então o gabarito vai lhe dar a impressão errada de que bastaria psicografar tudo da forma como ele determina e, voilà!, um belo 10 resultaria. Eu não gostaria de lhe passar a mensagem falaciosa de que só existe uma maneira correta de se pensar, nem involuntariamente. Caso contrário, se suas respostas forem "sim", então você não precisará do gabarito! Logo, ele só pode ser nocivo ou inútil, e portanto não merece nossa atenção.

E a prova? Tudo bem com a prova? Tudo certo com a prova?

Mais uma pergunta sobre a prova? Não acredito!!! Procure dominar o conteúdo com clareza e pare de se preocupar com a prova!!!

Traumas e orgulhos à parte (tais como o zero que tirei na primeira prova de cálculo 3 e o 9,9 que tirei na terceira, respectivamente), você não se lembrará de nenhuma prova daqui a alguns anos. E é ótimo que seja assim: a ideia da graduação é permitir a você se transformar (limitado(a) apenas por sua vontade e seu investimento em forma de tempo) numa nova pessoa com maior capacidade de fazer coisas interessantes (espero) por conta da riqueza de experiências a que você terá sido exposto(a).

E a ideia do curso é lhe proporcionar o ambiente para que você adquira (pelo seu próprio esforço!) conhecimento técnico útil em diversos contextos. Esqueça a prova como objetivo: tenha-a como mera pedra de milha para demarcar a distância percorrida e lhe indicar como melhorar para o futuro. Aproveite essa chance: se você for bem sucedido em sua vida profissional, essa será provavelmente a sua última oportunidade honesta de ter seu trabalho revisado por alguém que certamente sabe mais do assunto do que você mesmo(a)! Suplico-lhe: não aprenda conosco a pensar bur(r)ocraticamente desde cedo! Tente se manter na essência do que estamos fazendo aqui: aprender física.

Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos?

42 (e se você não entendeu a piada, jamais tente reinterpretá-la em base 13).